domingo, 12 de fevereiro de 2017

TALES DE MILETO

TALES DE MILETO
Segundo a tradição clássica da filosofia ocidental, o primeiro teórico a formular um pensamento mais sistemático fundado em bases racionais foi o grego Tales (cerca de 625 a.C. – 558 a.C.). Sendo o fundador dessa nova forma de pensar, ele é considerado o primeiro filósofo de que se tem notícia, inaugurando a linhagem filosófica dos pré-socráticos (filósofos que vieram antes de Sócrates).
Nascido na cidade de Mileto, uma colônia grega na região da Jônia (atual Turquia), Tales foi matemático, astrônomo e negociante. Herdeiro de conhecimentos ainda mais antigos — como a matemática egípcia e a astronomia babilônica — Tales era tido em sua cidade como um sábio, mas também como um homem prático: conta-se que, utilizando suas habilidades, soube prosperar como um hábil mercador.
O que sabemos sobre as ideias desse filósofo resulta de comentários feitos pelos pensadores gregos que o sucederam, pois não há preservados registros escritos de sua autoria. As principais referências que temos a seu respeito vêm do filósofo Aristóteles.
Tales inaugurou na filosofia a corrente dos pensadores “físicos”: filósofos que buscavam entender e explicar a origem da physis — palavra grega traduzida como natureza, mas cujo significado engloba também a ideia de origem, movimento e transformação de todas as coisas.
Segundo Tales, a origem de todas as coisas estava no elemento água: quando densa, transformaria-se em terra; quando aquecida, viraria vapor que, ao se resfriar, retornaria ao estado líquido, garantindo assim a continuidade do ciclo. Nesse eterno movimento, aos poucos novas formas de vida e evolução iriam se desenvolvendo, originando todas as coisas existentes.
Lançando um olhar crítico, tornam-se evidentes as brechas neste raciocínio. Por exemplo, o que dá início a este movimento e o que o mantém? Como um único elemento, a água, poderia se transformar em outra coisa?
Essas falhas, que aos olhos científicos de hoje são evidentes, eram vistas de outra forma na época. Vale lembrar que no momento em que as ideias de Tales foram criadas, os pensamentos racional e filosófico ainda eram bastante povoados por elementos mágicos e mitológicos. Portanto, para um grego antigo, a ideia de que uma coisa simples como a água pudesse se transformar em outra coisa não era absurda.
O grande mérito de Tales, na verdade, não foi a sua explicação aquática da realidade: foi o fato de que, pela primeira vez na história, o homem buscava uma explicação totalmente racional para o seu mundo, deixando de lado a interferência dos deuses.

Tales pode ser tido também como o pai da filosofia unitarista — que busca a explicação de todas as coisas a partir de um único princípio (no caso dele, a água) — e que teria seu maior expoente na figura de Heráclito de Éfeso.

A partir de sua teoria, diversos filósofos pré-socráticos buscaram seus próprios caminhos para explicar a physis. Tales, Anaximandro e Anaxímenes formaram o trio da chamada Escola de Mileto e ficaram conhecidos como os physiologoi(estudiosos da physis). Era o início da filosofia e do esforço humano em compreender o espetáculo da existência a partir da racionalidade.
Veja mais:
Anaximandro 
- Saiba quem foi Anaximandro, o discípulo de Tales de Mileto
Anaxímenes
 - Conheça o discípulo de Anaximandro e filósofo


ANAXÍMENES

Anaxímenes (585 - 524 a.C.)
Terceiro representante dos Filósofos de Mileto. Foi amigo e seguidor de Anaximandro e conhecia bem as teorias deste filósofo bem como as teorias de Tales, que acreditava que é a água o princípio de todas as coisas. Mas de onde vem à água? Anaxímenes pensava que a água é ar condensado e que o fogo é ar rarefeito e que o principal elemento que constitui as coisas é o ar ou o vapor e a eles as coisas voltam através de um movimento duplo onde o ar se  condensa e depois se rarefaz. 

O ar é infinito e se identifica também com a alma. Ele anima o corpo do homem e também todo o mundo. O Ar está em movimento eterno e possui vida. O mundo todo pode ser visto como um enorme animal que respira e a respiração é que lhe dá vida. E como a respiração é que lhe dá a vida, ela é a sua alma. É do ar que nasce todas as coisas presentes, todas as coisas do passado e as do futuro. Incluindo os deuses. É no ar que começa o movimento de todas as coisas.

Um dos exemplos que o filósofo encontra para sustentar suas teorias de rarefação e condensação é o de como o ar sai da nossa boca: se assoprarmos com os lábios mais apertados e com força o ar sai frio e se soltamos o ar com a boca bem aberta ele sai quente. O que muda portanto é a quantidade e a pressão que se imprime sobre o ar. Da mudança destas situações é que vão se originar todas as coisas. 

Desta forma tudo o que existe são diferentes formas de ar que é o que forma tudo. O ar sob a influência do calor se expande aumentando seu volume e sob a influência do frio se contrai diminuindo seu volume. Tudo vai depender se é o calor ou o frio que vai predominar.

Essa teoria Anaxímenes provavelmente formulou após identificar o ar em movimento  incessante. Percebeu também que a vida geralmente precisa do ar para se manter. Respirar é o que dá vida aos seres e dependemos da respiração por toda nossa vida. Ele percebeu ainda que no céu existem nuvens e que a matéria possui vários graus de solidez. O ar para ele é algo divino, ou mais, o ar é o próprio Deus.

Poucas notícias sobre a cosmologia de Anaxímenes chegaram até nós. Para ele a Terra a Lua e o Sol bem como todos os demais astros conhecidos na época, são planos e flutuam como se estivessem cavalgando sobre o ar. Todos os astros se movem ao redor da terra como se fosse um chapéu girando ao redor da nossa cabeça. A terra é feita de ar comprimido e o sol a lua e os outros astros também se originam da terra.

Para ele o sol também é terra que se movimenta mais rápido e por isso gera o calor próprio daquele astro. Foi o primeiro pensador a chegar à conclusão de que a luz da Lua vem do Sol. A Terra foi a primeira a se formar e dela ergueram-se as estrelas. As estrelas são fogo rarefeito. A Terra é plana e flutua no Ar assim como o Sol que é largo como uma folha e se desloca também através do ar.

Anaxímenes acreditava ainda que as estrelas não produziam calor porque estavam bem mais distantes da terra do que o sol.

Consta que ele escreveu uma obra intitulada Sobre a Natureza que foi escrita em prosa. Estudou também meteorologia. 

Sentenças:
- Da mesma forma como a nossa alma o ar nos mantém juntos, de forma que o sopro, bem como o ar, abraçam o mundo inteiro.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

ANAXIMANDRO

ANAXIMANDRO

Anaximandro de Mileto (610 a.C.- 547 a.C.) foi discípulo de Tales. Assim como seu mestre, procurou compreender o princípio (arkhé) que origina toda a realidade. Porém, em suas investigações, não encontrou em nenhum elemento físico este princípio, mas no que chamou de ÁPEIRON.
Segundo Anaximandro, é a partir da transformação de cada coisa no seu contrário, isto é, da mudança entre pares de opostos da realidade, que podemos perceber que elas estão imersas em um turbilhão infinito, ilimitado, indeterminado, mas que determina e limita todos os seres. A este turbilhão original denominou ápeiron.

Para o nosso filósofo, pares de contrários são, por exemplo, quente-frio e seco-úmido. Isto quer dizer que em cada coisa somente um de cada par pode existir, não podendo, pois, coexistirem em um mesmo objeto, o quente e o frio. Por isso percebemos a ordem nesta determinação. Mas se nenhuma predomina eternamente (pois uma só existe quando a outra não está presente) é porque devem ser determinadas por algo extrínseco (fora) a elas, algo ilimitado, mas que as limita, o ápeiron (ilimitado, indefinido, indestrutível, indeterminado).

Assim, o que tem geração ou início tem também fim. E a mudança dos seres não pode em si e por si mesmos se determinar. Logo, a solução encontrada por Anaximandro de um princípio sem limites, sem fim e sem determinação, era oápeiron.


PERÍODO PRÉ-SOCRÁTICO OU COSMOLÓGICO

PERÍODO PRÉ-SOCRÁTICO OU COSMOLÓGICO

Os primeiros filósofos gregos

No século VII a.C., o comércio se intensificava na Grécia, gerando riquezas que favoreceram importantes progressos materiais e culturais. Ao mesmo tempo,elaboravam-se técnicas mais eficientes para a produção de bens que proporcionaram melhorias no padrão de vida dos cidadãos. Como criação dos cidadãos, não dos deuses, a polis estava organizada e podia ser explicada de forma racional. 

A prática constante da discussão política em praça pública pelos cidadãos fez com que, com o tempo, o raciocínio bem formulado e convincente, se tornasse o modo adotado para se pensar sobre todas as coisas, não só as questões políticas.

Nesse ambiente de grandes avanços e transformações no modo de vida urbano, surgiram questões para as quais as explicações mitológicas já não eram suficientes. Foi nesse cenário que surgiram os filósofos pré-socráticos.

Os primeiros filósofos estavam preocupados com o estudo da natureza (physis – conjunto de tudo o que é, ou seja, os seres humanos, as pedras, o céu, as estrelas, as vegetações, o ar e os animais). Nela acreditava-se que era possível encontrar o princípio de todas as coisas, o surgimento e o funcionamento da vida e do Universo.

Procurava-se esse princípio primordial de todos os seres, (a arché) porque, segundo esses filósofos, ele seria a chave para conhecer e explicar tudo o que existe no Universo. Essa arché, além de estar presente em todas as coisas, também teria uma atividade: seria uma força que, conforme seus diferentes modos de ação daria origem à variedade de fenômenos naturais. De onde teriam surgido o Sol, as montanhas, os homens? Seria possível concluir que as coisas se originam de algum elemento, de algum ser ou substância que sempre existiu? E se esse elemento fosse eterno, seria ele capaz de transformar-se em outro? De que elemento teriam surgido os homens?

Os filósofos gregos, observando as constantes transformações que ocorrem na natureza, buscavam uma explicação racional para os fenômenos naturais. E essa explicação não era satisfatoriamente dada pelos mitos ou pelos deuses.

Na verdade, aqueles homens de espírito inquieto queriam descobrir os princípios eternos. Não era apenas uma tentativa de explicar raios e trovões ou a chuva e o Sol. Buscavam a causa primeira, a origem de tudo o que há no Universo. Pode-se dizer que os filósofos pré-socráticos deram o passo inicial na tentativa lógica de pensar, que posteriormente daria origem às ciências naturais que conhecemos, como a física, a biologia, a astronomia e outras.

Quando afirmamos que a filosofia nasceu na Grécia, devemos tornar essa afirmação mais precisa. Afinal, nunca houve, na Antiguidade, um Estado grego unificado. O que chamamos de Grécia nada mais é que o conjunto de muitas cidades-Estado gregas (polis), independentes umas das outras, e muitas vezes rivais. 

Vimos que o mito é uma narrativa sobre a origem de alguma coisa (da Terra, dos homens, das plantas, do fogo, da água etc). Os filósofos pré-socráticos discutem de maneira racional sobre a natureza, distanciando-se das explicações míticas. A cosmogonia, típica do pensamento mítico, é descritiva e explica como do caos (estado desorganizado da matéria) surge o cosmo (o mundo ordenado, organizado), a partir da geração dos deuses, identificados às forças da natureza. Assim, a cosmogonia é a explicação sobre a origem do Universo baseada nos mitos. Dessa forma, a filosofia possui um conteúdo preciso ao nascer: é uma cosmologia (cosmos significando ordem; logia, compreensão racional), ou seja, explicação racional e sistemática sobre a origem, a ordem do universo ou da natureza. Explicações que rompem com o mito.

Historiadores da filosofia dizem que ela possui data e local de nascimento: fim do século VII a C. e início do século VI a C, na cidade de Mileto, situada na Jônia, litoral ocidental da Ásia Menor. E o primeiro filósofo foi Tales de Mileto. Caracterizada por múltiplas influências culturais e por um rico comércio, a cidade de Mileto abrigou os três primeiros pensadores da história ocidental a quem atribuímos a denominação filósofos. São eles: Tales, Anaximandro e Anaxímenes.

Tales

Tales (623-546 a C aproximadamente) costuma ser considerado o primeiro pensador grego, “o pai da filosofia”. Na condição de filósofo, buscou a construção do pensamento racional em diversos campos do conhecimento. Atuou na área da política, astronomia,geometria, engenharia etc.

Destaca-se, entre os objetivos desses primeiros filósofos, a construção de uma cosmologia que substituísse a antiga cosmogonia. Por isso, tentaram descobrir, com base na razão e não na mitologia, o princípio substancial ou substância primordial (arché) existente em todos os seres materiais. Isto é, pretendiam encontrar a “matéria-prima” de que são feitas todas as coisas.

Procurando fugir das antigas explicações mitológicas sobre a criação do mundo, Tales queria descobrir um elemento físico que fosse constante em todas as coisas. Algo que fosse o princípio unificador de todos os seres. Tales concluiu que a água é a substância primordial, a origem única de todas as coisas, o princípio de todo o Universo. Para ele, a água se apresenta nos três estados em que vemos os corpos na natureza: líquido, sólido e gasoso. Em viagens pelo Egito, o filósofo observou as cheias do Nilo; a terra, que era seca e desértica antes das enchentes, tornava-se fértil depois delas. Tales considerava que a água era como uma divindade, como se fosse a própria vida. A água estaria presente em todas as coisas e, portanto, todas as coisas estariam cheias de vida, “cheias de deuses”. 

Anaximandro

Anaximandro (610-547 a C) discorda de Tales sobre a origem única de todas as coisas. Em meio a tantos elementos observáveis no mundo natural, a água, o fogo, o ar etc., ele acreditava não ser possível eleger uma única substância material como o princípio primordial de todos os seres, a arché.

Para Anaximandro, esse princípio é algo que transcende os limites do observável, ou seja, não se situa numa realidade ao alcance dos sentidos. Por isso, o princípio do Universo é o apeíron, ou princípio indeterminado, infinito e em movimento perpétuo. O apeíron seria a “massa geradora” dos seres, os elementos visíveis e as primeiras qualidades, o quente e o frio, dando origem ao fogo e ao ar. Em seguida, viriam as qualidades seco e úmido, originando a terra e a água. Os seres vivos teriam nascido da evaporação da água submetida à luz e ao calor do Sol. 

Divergências à parte, a principal contribuição de Anaximandro foi ter desenvolvido um processo de abstração, ou seja, imaginou um princípio gerador do Universo que não estivesse visivelmente presente no mundo sensível. 

Anaxímenes

Da mesma forma que Tales e Anaximandro, Anaxímenes (588-524 a.C.) também procurou um elemento material cósmico que justificasse os processos da natureza. 

Afirmava que o ar, com seus atributos como a infinitude e o movimento incessante, seria o gerador da multiplicidade das coisas e que isso se daria por meio da rarefação e da condensação do ar. 

Anaxímenes afirmava que o ar, “rarefazendo-se, torna-se fogo; condensando-se, vento; depois, nuvem; e ainda mais água; depois terra; depois pedras; e as demais coisas provêm dessas. Também ele faz eterno o movimento pelo qual se dá a transformação”. O ar é a própria vida, a força vital, a divindade que “anima” o mundo, aquilo que dá testemunho à respiração. 

Pitágoras

Pitágoras (570-490 a C., aproximadamente) nasceu na ilha de Samos, na costa jônica, não distante de Mileto. Por volta de 530 a C., sofreu perseguição política por causa de suas idéias, sendo obrigado a deixar sua terra de origem. Instalou-se, então, em Crotona, sul da Itália, região conhecida como Magna Grécia.

Em Crotona, fundou uma poderosa sociedade de caráter filosófico e religioso e de acentuada ligação com as questões políticas. Depois de exercer, por longos anos, considerável influência política na região, a sociedade pitagórica foi dispersada por opositores, e o próprio Pitágoras foi expulso de Crotona.

Para Pitágoras, a essência de todas as coisas reside nos números, ou seja, os princípios matemáticos são os elementos constitutivos do cosmos, presentes em sua origem, no conjunto de relações naturais e, enfim, na totalidade dos seres. Unidade, proporção e harmonia compõem a regularidade das estações climáticas, o tempo de gestação de uma vida, os fenômenos e seres dos mais diversos gêneros. Para ele, no lugar das divindades,o pensamento pitagórico coloca a matemática. A physis pitagórica não somente pode ser explicada em linguagem matemática, mas, sobretudo, sua estrutura é matemática.

Segundo o historiador de filosofia norte-americano Thomas Giles, “pela primeira vez se introduzia um aspecto mais formal na explicação da realidade, isto é, a ordem e a constância”. Assim, a essência dos seres, a arché, teria uma estrutura matemática da qual derivam problemas como: finito e infinito, par e ímpar, unidade e multiplicidade, reta e curva, círculo e quadrado etc.

Segundo Pitágoras, o Universo se moveria, se transformaria; em suma, existiria segundo uma harmonia precisa, equilibrada e eterna. Em outras palavras, tudo no Universo deveria se organizar segundo proporções equilibradas.

O ideal pitagórico de harmonia pode ser entendido mais facilmente se analisarmos uma das descobertas mais importantes desse pensador. Pitágoras percebeu que o som produzido quando se tocava uma corda esticada variava segundo uma proporção exata.Se uma corda de um determinado tamanho produzia certo som, quando seu comprimento era reduzido à metade o som obtido era duas vezes mais agudo. Da mesma forma, tomando-se uma corda duas vezes maior que a inicial, o som obtido era duas vezes mais grave. Assim, ele demonstrou uma relação íntima entre a música e a
matemática.

Para Pitágoras, descobrir a essência de todas as coisas, o princípio de tudo, significava estudar as relações matemáticas que estariam ocultas em todos os fenômenos do Universo.

Heráclito

Nascido em Éfeso, na Jônia (atual Turquia), Heráclito (540 – 480 a C) é considerado um dos mais importantes filósofos pré-socráticos. É o primeiro grande representante do pensamento dialético. Concebia a realidade do mundo como algo dinâmico, em permanente transformação. Daí sua escola filosófica ser chamada de mobilista (movimento). “O que mantém o fluxo do movimento não é o simples aparecer de novos seres, mas a luta de forças contrárias: a ordem e a desordem, o bem e o mal, o belo e o feio, a construção e a destruição, a justiça e a injustiça, o racional e o irracional, a alegria e a tristeza etc. Assim, afirmava que a luta (guerra) é a mãe, rainha e princípio de  todas as coisas”. É da luta que nasce a harmonia, como síntese dos contrários. É das forças opostas que o mundo se modifica e evolui.

Sua idéia mestra e o devir eterno, a transformação incessante de todas as coisas, pela qual as coisas se constroem e se dissolvem em outras. Assim, a ideia absolutamente original trazida por Heráclito é a de que o mundo não é um lugar estático, mas um fluxo, uma mudança permanente de todas as coisas, um constante vir-a-ser (a eterna mudança também chamada de devir).

Dizia Heráclito: “não podemos banhar-nos duas vezes no mesmo rio, pois as águas nunca são as mesmas e nós nunca somos os mesmos”. O homem seria outro, porque modificado no tempo, e as águas que antes preenchiam o rio a esta altura estariam distantes, correndo novas águas agora em seu lugar. Nem o homem nem o rio permanecem idênticos a si próprios.

Para Heráclito, o fluxo universal é a mudança constante de tudo o que existe, a transformação ininterrupta dos seres em seus contrários, nada permanece o mesmo, nem por um instante. Tudo flui, tudo passa, tudo se move sem cessar. A vida se transforma em morte; a morte em vida; o úmido seca, o seco umedece; a noite torna-se dia, o dia torna-se noite; a vigília cede ao sono, o sono cede à vigília; o jovem torna-se velho, o velho se faz criança. O mundo está em constante movimento e transformação. Por isso as coisas são e não são, pois cada ser contém seu não ser, o seu contrário que impede sua permanência no tempo. A oposição ao ser de alguma coisa está em seu próprio interior, e esse é o sentido do devir heraclitiano, a luta universal dos contrários pela qual os seres são sucessivamente negados na transformação em seus opostos, como o dia é negado pela noite, e a noite depois superada pelo dia, assim indefinidamente, pois o que não cessa é devir. A guerra é, portanto, o fundamento de todas as coisas.

As coisas nascem, evoluem, se desenvolvem, têm o seu tempo de utilidade ou maturidade, depois decaem e tendem a desaparecer. O que fica delas são vestígios ou, no caso das pessoas, a memória de que as conheceu ou a memória do que ficou registrado sobre elas. Portanto nada permanece idêntico a si mesmo. Assim, para Heráclito, a essência verdadeira está na transformação. Heráclito definiu uma arché, um princípio que está em todas as coisas desde a sua origem: o fogo. Para ele, "todas as coisas são uma troca do fogo, e o fogo, uma troca de todas as coisas, assim como o ouro é uma troca de todas as mercadorias e todas as mercadorias são uma troca do ouro"; ou seja, todas as coisas transformam-se em fogo, e o fogo transforma-se em todas as coisas.

Parmênides

Nascido em Eléia, na Magna Grécia (atual Itália), Parmênides (510-470 a C aproximadamente) tornou-se célebre por ter feito oposição a Heráclito. Segundo ele, é absurdo e impensável considerar que uma coisa pode ser e não ser ao mesmo tempo.

O principal problema tratado na filosofia de Parmênides é: as coisas que vemos e conhecemos (natureza, seres humanos, cosmo) estão em constante movimento de mudança (em um fluxo incessante, impermanente e nada estável) ou, pelo contrário, existe por trás da impermanência das coisas algo de estável, de permanente, de imutável?

Para Parmênides, por trás das aparências, do que parece ser e do que está em constante transformação, existe uma essência do real permanente que não está sujeita a transformações de qualquer espécie. Essa essência é eterna, imutável, imóvel e incorruptível. O movimento das coisas, tal como os nossos sentidos percebem, é apenas aparência. Ou seja, ele é uma característica superficial das coisas. Para o filósofo, o equívoco das pessoas e dos demais pensadores era conceder demasiada importância aos
dados fornecidos pelos sentidos. Embora percebesse pela via sensorial a mudança e o movimento no mundo, achava contraditório buscar a essência (a arché) naquilo que não é essencial, buscar a permanência naquilo que não permanece (a mudança, o movimento), ou supor que aquilo que é permanente pudesse converter-se em algo impermanente.

Assim, Parmênides optou por escutar o que lhe dizia a razão, e não os sentidos, que o faziam sentir a mudança, e proclamou que existe o ser e não é concebível sua não existência. Desse modo: “o ser é e o não ser não é”. Tentemos compreender melhor essa frase, aparentemente tão óbvia: Da primeira oração (“o ser é”) podemos extrair que o ser (aquilo que é) é eternamente, pois o ser constitui, para ele, a substância permanente das coisas. Portanto, o ser é de maneira imutável e imóvel, e é o único que existe. O ser é a arché de Parmênides, não identificada com nenhum elemento natural, sensível, mas, ao mesmo tempo, equivalente a toda corporeidade, com tudo que existe, pois o ser é uno, pleno, contínuo e absoluto.

Na segunda oração (“o não ser não é”), temos que o não ser (a negação do ser) não é, não tem ser, substância, essência. Portanto é nada, não existe. Essa é uma conclusão lógica, pois se o ser é tudo, o não ser só pode não existir. Para Parmênides, o não ser se identificaria com a mudança (o devir), pois mudar é justamente não ser mais aquilo que era, nem ser ainda algo que é. Por meio dos sentidos, os seres humanos percebem os fenômenos naturais, constatam mudanças nas pessoas e nos seres vivos em geral, testemunham um mundo que está em constante transformação. Segundo Parmênides, entretanto, o que é percebido pelos sentidos não permite que o homem conheça realmente a verdade, o Ser verdadeiro e universal.

Para Parmênides, os sentidos não são os melhores instrumentos para se conhecer o ser das coisas. O ser imutável está por trás da mudança e só pode ser visto pelo pensamento ou pela alma; os órgãos sensoriais só captam as aparências, as transformações. Assim, se quisermos conhecer verdadeiramente as coisas, temos de ir além da experiência e do conhecimento sensível: a descoberta do ser parmenidiano se dá pelo pensamento, pela atividade racional.

Entretanto não há como negar a existência do movimento no mundo porque as coisas nascem e morrem, mudam de lugar e se expõem em infinita multiplicidade. Segundo Parmênides, porém, o movimento existe apenas no mundo sensível, e a percepção pelos sentidos é ilusória. Só o mundo inteligível é verdadeiro. 

As coisas mudam, mas o ser das coisas não muda. Os sentidos vêem o que muda e a alma vê o que não muda. Para o filósofo, só é possível explicar o movimento das coisas se por trás desse movimento existir um ser que dá identidade a essa coisa. Imaginemos uma árvore que, desde o nascimento até sua morte, está em constante transformação. No entanto, é possível ver nessa árvore o mesmo ser que nos permite reconhecê-la como a mesma árvore, desde que nasceu até sua morte. Por trás de sua constante mudança, ela tem uma identidade. A esse reconhecimento chamamos, em Filosofia, de princípio da
identidade: a  realidade em seu sentido profundo tem algo de permanente e imutável.

O DECLÍNIO DO MITO

Declínio dos mitos
Na história do pensamento ocidental, a filosofia nasce na Grécia entre os séculos VI e VII a.c., promovendo a passagem do saber mítico (alegórico) ao pensamento racional (logos). Esssa passagem ocorreu, no entanto, durante longo processo histórico, sem um rompimento brusco e imediato com as formas de conhecimentos utilizadas no passado.
De fato, durante muito tempo os primeiros filósofos gregos compartilharam de crenças míticas, enquanto desenvolviam o conhecimento racional que caracterizaria a filosofia. Essa transição do mito à razão "significa precisamente que já havia, de um lado, uma lógica do mito e que, de outro lado, na realidade filosófica ainda está incluído o poder do lendário". Conforme analisa o historiador Pierre Grimal:

O mito se opõe ao logos como a fantasia à razão, como a palavra que narra à palavra que demonstra. Logos e mito são as duas metades da linguagem, duas funções igualmente fundamentais da vida do espírito. O logos sendo uma argumentação, pretende convencer. O logos é verdadeiro, no caso de ser justo e conforme à "lógica"; é falso quando dissimula alguma burla secreta (sofisma). Mas o mito tem por finalidade apenas a si mesmo. Acredita-se ou não nele, conforme a própria vontade, mediante um ato de fé, caso pareça "belo" ou verossímil, ou simplesmente porque se quer acreditar. O mito, assim, atrai em torno de si toda a parcela do irracional existente no pensamento humano; por sua própria natureza, é aparentado à arte, em todas as suas criações.( GRIMAL, Pierre. A mitologia grega, p. 8 – 9)

O exercício da razão na pólis grega

O momento histórico da Grécia Antiga em que se afirma a utilização do logos (a razão) para resolver os problemas da vida está vinculado ao surgimento da pólis, cidade-Estado grega.
A pólis foi uma nova forma de organização social e política desenvolvida entre os séculos VIII e VI a.c. Nela, eram os cidadãos que dirigiam os destinos da cidade. Como criação dos cidadãos, e não dos deuses, a pólis estava organizada e podia ser explicada de forma racional, isto é, de acordo com a razão.
A prática constante da discussão política em praça pública pelos cidadãos fez com que, com o tempo, o raciocinio bem formulado e convincente, se tornasse o modo adotado para se pensar sobre todas as coisas, não só as questões políticas.

Filósofos Pré- Socráticos

O primeiro período do pensamento grego toma a denominação substancial de período naturalista, porque a nascente especulação dos filósofos é instintivamente voltada para o mundo exterior, julgando-se encontrar aí também o princípio unitário de todas as coisas; e toma, outrossim, a denominação cronológica de período pré-socrático, porque precede Sócrates e os sofistas, que marcam uma mudança e um desenvolvimento e, por conseguinte, o começo de um novo período na história do pensamento grego. Esse primeiro período tem início no auge do VI século a.C., e termina dois séculos depois, mais ou menos, nos fins do século V. Surge e floresce fora da Grécia propriamente dita, nas prósperas colônias gregas da Ásia Menor, favorecido sem dúvida na sua obra crítica e especulativa pelas liberdades democráticas e pelo bem-estar econômico. Os filósofos deste período preocuparam-se quase exclusivamente com os problemas cosmológicos. Estudar o mundo exterior nos elementos que o constituem, na sua origem e nas contínuas mudanças a que está sujeito, é a grande questão que dá a este período seu caráter de unidade. 

Tales de Mileto "Água"

Tales de Mileto, fenício de origem, é considerado o fundador da escola jônica. É o mais antigo filósofo grego, não deixou nada escrito, mas sabemos que ele ensinava ser a água a substância única de todas as coisas. A terra era concebida como um disco boiando sobre a água, no oceano. Cultivou também as matemáticas e a astronomia, predizendo, pela primeira vez, entre os gregos, os eclipses do sol e da lua. No plano da astronomia, fez estudos sobre solstícios a fim de elaborar um calendário, e examinou o movimento dos astros para orientar a navegação. Provavelmente nada escreveu. Por isso, do seu pensamento só restam interpretações formuladas por outros filósofos que lhe atribuíram uma ideia básica: a de que tudo se origina da água. Segundo Tales, a água, ao se resfriar, torna-se densa e dá origem à terra; ao se aquecer transforma-se em vapor e ar, que retornam como chuva quando novamente esfriados. Desse ciclo de seu movimento (vapor, chuva, rio, mar, terra) nascem as diversas formas de vida, vegetal e animal. A cosmologia de Tales pode ser resumida nas seguintes proposições: A terra flutua sobre a água; A água é a causa material de todas as coisas. Todas as coisas estão cheias de deuses. O imã possui vida, pois atrai o ferro.

Anaximandro de Mileto "Ápeiron"

Anaximandro de Mileto, geógrafo, matemático, astrônomo e político, discípulo e sucessor de Tales e autor de um tratado Da Natureza, põe como princípio universal uma substância indefinida, o ápeiron (ilimitado), isto é, quantitativamente infinita e qualitativamente indeterminada. Deste ápeiron (ilimitado) primitivo, dotado de vida e imortalidade, por um processo de separação ou "segregação" derivam os diferentes corpos. Supõe também a geração espontânea dos seres vivos e a transformação dos peixes em homens. Anaximandro imagina a terra como um disco suspenso no ar. Eterno, o ápeiron está em constante movimento, e disto resulta uma série de pares opostos - água e fogo, frio e calor, etc. - que constituem o mundo. O ápeiron é assim algo abstrato, que não se fixa diretamente em nenhum elemento palpável da natureza. 

Anaxímenes de Mileto "Ar"

Segundo Anaxímenes, a arkhé (comando) que comanda o mundo é o ar, um elemento não tão abstrato como o ápeiron, nem palpável demais como a água. Tudo provém do ar, através de seus movimentos: o ar é respiração e é vida; o fogo é o ar rarefeito; a água, a terra, a pedra são formas cada vez mais condensadas do ar. As diversas coisas que existem, mesmo apresentando qualidades diferentes entre si, reduzem-se a variações quantitativas (mais raro, mais denso) desse único elemento. Atribuindo vida à matéria e identificando a divindade com o elemento primitivo gerador dos seres, os antigos jônios professavam o hilozoísmo e o panteísmo naturalista. Dedicou-se especialmente à meteorologia. Foi o primeiro a afirmar que a Lua recebe sua luz do Sol. Anaxímenes julga que o elemento primordial das coisas é o ar.

Heráclito de Éfeso “Fluxo – vir-a-ser”

Heráclito nasceu em Éfeso, cidade da Jônia, de família que ainda conservava prerrogativas reais (descendentes do fundador da cidade). Recusou-se sempre a intervir na política. Manifestou desprezo pelos antigos poetas, contra os filósofos de seu tempo e até contra a religião. Floresceu em 504-500 a.C. - Heráclito é por muitos considerados o mais eminente pensador pré-socrático, por formular com vigor o problema da unidade permanente do ser diante da pluralidade e mutabilidade das coisas particulares e transitórias. Estabeleceu a existência de uma lei universal e fixa (o Lógos), regedora de todos os acontecimentos particulares e fundamento da harmonia universal, harmonia feita de tensões, "como a do arco e da lira".

Pitágoras de Samos “Números”

Pitágoras, o fundador da escola pitagórica, nasceu em Samos pelos anos 571-70 a.C.
Segundo o pitagorismo, a essência, o princípio essencial de que são compostas todas as coisas, é o número, ou seja, as relações matemáticas. Os pitagóricos, não distinguindo ainda bem forma, lei e matéria, substância das coisas, consideraram o número como sendo a união de um e outro elemento. Da racional concepção de que tudo é regulado segundo relações numéricas, passa-se à visão fantástica de que o número seja a essência das coisas.

A doutrina e a vida de Pitágoras, desde os tempos da antiguidade, jazem envolta num véu de mistério. A força mística do grande filósofo e reformador religioso, há 2.600 anos vem, poderosamente, influindo no pensamento Ocidental. Dentre as religiões de mistérios, de caráter iniciático, a doutrina pitagórica foi a que mais se difundiu na antiguidade.

Demócrito de Abdera “atómo”

A fama de Demócrito decorre do fato de ele ter sido o maior expoente da teoria atômica ou do atomismo. De acordo com essa teoria, tudo o que existe é composto por elementos indivisíveis chamados átomos (e é daí que vem a palavra átomo, que em grego significa "a", negação e "tomo", divisível. Átomo= indivisível). Demócrito avançou também com o conceito de um universo infinito, onde existem muito outros mundos como o nosso. Na verdade, segundo Demócrito, existe um número infinito de mundos, sendo que pelo menos um deles, e talvez mais do que um, é uma cópia exata do nosso, com pessoas como nós. O conceito de um universo infinito contendo inúmeros mundos diferentes foi também aceito por outros pensadores


DO SENSO COMUM AO PENSAMENTO FILOSÓFICO

Do senso comum ao pensamento filosófico.

Diferenças entre o pensamento filosófico e o pensamento de senso comum, assim como vantagens e desvantagens de ambos.
O princípio do pensamento filosófico diz que "o filósofo só sabe que nada sabe", O pensamento Filosófico vai além daquilo que é, para propor como poderia ser. E, portanto, indispensável para a vida de todos nós, que desejamos ser seres humanos completos, cidadãos livres e responsáveis por nossas escolhas.
Enquanto que o senso comum é o conhecimento que recebemos de uma geração para outra, e que nasce do esforço que os seres humanos fazem normalmente para resolver os problemas práticos e imediatos que surgem no dia a dia. Por exemplo, formas de organizar a vida comunitária, formas de sobreviver frente ao clima e frente à natureza, como fazer habitação, vestuário, plantio, colheita, conservação de produtos, alimentação, cuidado com saúde, e, mais recentemente, uso da técnica etc.
A diferença é que o senso comum tem base empírica, está pronto, é prático, é a solução para resolver problemas já conhecidos enquanto que o pensamento filosófico questiona sempre, a filosofia não é a mera opinião ou gostos pessoais. Não é filosófico dizer “eu acho que”, “eu gosto de”..., ela não aceita nada pronto.
As vantagens do pensamento filosófico é que este, estabeleceu-se como saber lógico, rigoroso, concatenando as afirmações entre si, superando, o senso comum, por buscar, nos questionamentos, o algo mais que o resultado pronto. É a decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-los sem antes havê-los investigado e compreendido. Como desvantagens temos, que se algumas coisas já foram testadas, podem ser usadas, quando emergências surgem e, depois, se for o caso, questioná-las. No mundo de hoje, onde se busca sempre a rapidez, a pronta resposta, a solução, podemos citar como uma desvantagem o "pensamento filosófico,"
Como vantagens do senso comum, é que já se sabe que ele funciona, que dá certo, A desvantagem, que é algo "gritante" nos dias de hoje, é uma sociedade que não cria nada, que simplesmente aceita as coisas como são. Falta criatividade, falta questionamento ao povo. "Nossos políticos são corruptos". Por que? Por que nos falta patriotismo? Porque precisamos dar o "jeitinho Brasileiro" para resolver problemas? Por que...?
O que é Filosofia e pensamento Filosófico?
O que vem a ser filosofia?
Na história do pensamento ocidental, a filosofia nasce na Grécia por volta do século VI (ou VII) a.C. Por meio de longo processo histórico, surge promovendo a passagem do saber mítico ao pensamento racional, sem, entretanto, romper bruscamente como todos os conhecimentos do passado. Durante muito tempo, os primeiros filósofos gregos compartilhavam de diversas crenças míticas, enquanto desenvolviam o conhecimento racional que caracterizaria a filosofia.
Se considerarmos filosofia a atividade racional voltada à discussão e à explicação intelectualizada das coisas que nos circundam, coisas como: de onde viemos?, o que fazemos neste planeta?, para onde vamos?, porque isso é assim ou não assim? Tem-se o século VI como a data mais provável da origem da filosofia. A filosofia surgiu para poder arrumar respostas racionais para tais perguntas. No século VI temos a instituição da moeda, do calendário e da escrita alfabética, a florescente navegação, que favoreceu o intenso contato com outras culturas, esses acontecimentos propiciaram o processo de desdobramento do pensamento poético (mitos) em filosófico (razão).
De acordo com a tradição histórica, a fase inaugural da filosofia grega é conhecida como período pré-socrático. Esse período abrange o conjunto das reflexões filosóficas desenvolvidas desde Tales de Mileto (623-546 a.C.) até Sócrates (468-399 a.C.).
Já datamos o início da filosofia, mas o que é filosofia?
A filosofia é um modo de pensar, é uma postura diante do mundo. A filosofia não é um conjunto de conhecimentos prontos, um sistema acabado, fechado em si mesmo. Ela é, antes de mais nada, uma prática de vida que procura pensar os acontecimentos além de sua pura aparência. Assim, ela pode se voltar para qualquer objeto. Pode pensar a ciência, seus valores, seus métodos, seus mitos; pode pensar a religião; pode pensar a arte; pode pensar o próprio homem em sua vida cotidiana. Até mesmo uma história em quadrinhos ou uma canção popular podem ser objeto da reflexão filosófica.
A filosofia parte do que existe, critica, coloca em dúvida, faz perguntas importunas, abre a porta das possibilidades, faz-nos entrever outros mundos e outros modos de compreender a vida. Um filósofo só sabe de uma coisa: Só sabe que nada sabe. Este é o principio do pensamento filosófico. Para se criar uma filosofia é preciso partir do inicio, o filosofo deve ser como uma criança que ao acabar de nascer não sabe de nada. Deve procurar suas próprias respostas dentro de si mesmo. Deve usar sua razão, emoção e inteligência para achar suas respostas.
A filosofia incomoda porque questiona o modo de ser das pessoas, das culturas, do mundo. Questiona as práticas políticas, científicas, técnicas, éticas, econômicas, culturais e artísticas. Não há área onde ela não se meta, não indague. E, nesse sentido, a filosofia é “perigosa”, “subversiva”, pois vira a ordem estabelecida de cabeça para baixo.
Talvez a divulgação da imagem do filósofo como sendo uma pessoa “desligada” do mundo seja exatamente a defesa da sociedade contra o “perigo” que ela representa.
O trabalho do filósofo é refletir sobre a realidade, qualquer que seja ela, re-descobrindo seus significados mais profundos.
Filósofos diferentes têm posturas diversas com relação a imagem institucional de sabedoria e compreensão. Embora com motivações diferentes, deram a sua importante contribuição para o alargamento das fronteiras.
A filosofia quer encontrar o significado mais profundo dos fenômenos. Não basta saber como funcionam, mas o que significam na ordem geral do mundo humano. A filosofia emite juízos de valor ao julgar cada fato, cada ação em relação ao todo. Assim, filosofar é uma prática que parte da teoria e resulta em outras teorias.
Desse modo, embora os sistemas filosóficos possam chegar a conclusões diversas, dependendo das premissas de partida e da situação histórica dos próprios pensadores, o processo do filosofar será sempre marcado pela reflexão rigorosa, radical e de conjunto.
O conceito de filosofia foi muito bem definido por Gerd A. Bornheim no livro “Os filósofos Pré-socráticos”: “…Se compreendermos a Filosofia em um sentido amplo – como concepção da vida e do mundo – poderemos dizer que sempre houve filosofia. De fato, ela responde a uma exigência da própria natureza humana; o homem, imerso no mistério do real, vive a necessidade de encontrar uma razão de ser para o mundo que o cerca e para os enigmas de sua existência…”
Bibliográfia: Apostila de Filosofia e Ética (Selvino José Assmann) Pensamento Filosófico: Uma maneira de Pensar o mundo (Antonio Carlos Olivier) http://bsideias.wordpress.com/2007/07/31/o-que-e-filosofia-e-pensamento-filosofico


DISTINÇÃO ENTRE ÉTICA E MORAL

Conceitos de Ética e Moral com base em filósofos Distinção entre Ética e Moral https://karenelisabethgoes.jusbrasil.com.br/artigos/1452...