domingo, 15 de outubro de 2017

ÉTICA DE PLATÃO E ARISTÓTELES: DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS

ÉTICA DE PLATÃO E ARISTÓTELES: DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS


A ÉTICA DE PLATÃO
Platão propõe uma ética transcendente, dado que o fundamento de sua proposta ética não é a realidade empírica do mundo, nem mesmo as condutas humanas ou as relações humanas, mas sim o mundo inteligível. O filósofo centra suas indagações na Ideia perfeita, boa e justa que organiza a sociedade e dirige a conduta humana. As Ideias formam a realidade platônica e são os modelos segundo os quais os homens tem seus valores, leis, moral. Conforme o conhecimento das ideias, das essências, o homem obtém os princípios éticos que governam o mundo social.
O uso reto da razão é entendido como o meio de alcançar os valores verdadeiros que devem ser seguidos pelos homens. No mito da caverna, o filósofo expõe a condição de ignorância na qual se encontra o homem ao lidar com o conhecimento das aparências. Somente pelo conhecimento racional o homem pode elevar-se até as Ideias, até o Ser e conhecer a verdade das coisas. Isto se dá através do método dialético, o qual elimina as aparências e encontra as essências, a verdade no conhecimento das coisas. Este método filosófico tem por finalidade libertar os homens da ignorância e levá-los ao conhecimento de ideia em ideia, até alcançar o conhecimento da Ideia Suprema: o Bem. As outras ideias participam desta e devem sua existência a esta.
O Bem ilumina o ser com verdade, permitindo que seja conhecido, assim como o Sol ilumina os objetos e permite que sejam vistos – nota-se aqui a analogia entre Bem e Sol apresentada no mito da caverna. Existem diversas ideias e é devido à participação nestas, mesmo que enquanto cópia imperfeita, que se fez possível o mundo sensível. Ao contemplar a ideia do Bem, o homem passa a sofrer as exigências do Ser, isto é, suas ações devem ser pautadas conforme a ideia contemplada.
A alma humana – de suma relevância para a ética platônica- é tripartite, isto é, forma-se pela inteligência, pela irascibilidade e pela concuspiscência. Tal como as partes da cidade ideal, cada uma das partes da alma possui suas funções específicas que não podem ser exercidas por nenhuma das outras partes. Cada uma das partes da cidade e, por analogia, cada uma das partes da alma, possui uma função própria a qual pode ser executada com excelência ou não, e, ao executá-la com excelência, sua virtude própria é exercida.
A virtude é definida, pois, como capacidade de realizar a tarefa que lhe é inerente. No caso do governante da cidade e da alma racional, a virtude inerente aos mesmos é a sabedoria; no caso dos guerreiro e da parte irascível da alma, a virtude que lhes é própria é a coragem; por fim, no caso da parte concupiscente da alma e dos produtores de bens da cidade, a virtude própria é temperança. Dada a posição de cada classe, pode-se definir a justiça como cada parte fazendo o que lhe compete, conforme suas aptidões. Portanto, ao estabelecer uma relação de analogia entre a sociedade e indivíduo, Platão define o conceito de justiça – o qual seria também concebido como princípio de equilíbrio do indivíduo e da sociedade – e o liga ao conceito de virtude.
O sentimento de justiça é, pois, a virtude maior cujo valor ético guia as condutas dos homens. Para que esta virtude seja alcançada, o homem deve buscar o bem em si mesmo, porque ele realiza o ideal de justiça, tanto com relação ao bem individual quanto social.
A ética platônica ocupa-se com o correto modo de agir e sua relação com o alcance da felicidade. Contudo, o discurso ético apresentado na República acerca da felicidade relaciona esta com o conceito de justiça. O problema da justiça enquadra-se no âmbito político, o qual tem estreita relação com o campo da ética: é deste modo que surge a tese central de que só o justo é feliz. No diálogo República, buscando a constituição da cidade ideal, surge o problema cerne acerca da definição da justiça para que se pudesse, posteriormente, definir o que é a justiça tanto no indivíduo quanto no Estado. Há, pois, um paralelo entre Estado e indivíduo a fim de que se encontre a definição de justiça.
Para Platão, a sociedade seria como algo orgânico e bem integrado, como uma unidade construída por vários elementos independentes, embora integrados. A cidade forma-se por três classes, como já apontamos, e cada classe possui sua função específica. Deve-se notar que tais funções são determinadas conforme as aptidões naturais de cada membro da cidade. O objetivo desta divisão é mostrar com mais clareza como ocorre o mesmo na alma humana. A finalidade da cidade justa e boa é, então, propiciar a felicidade do indivíduo ao viabilizar a prática de suas virtudes, de suas aptidões específicas.
Devemos ter em mente que a virtude correspondente a cada classe da cidade e a cada parte da alma humana deve ser ensinada visando a realização do ideal da polis. Esta educação embasa-se no método dialético ascendente, o qual liberta o homem dos sentidos e o eleva até o mundo inteligível, até o ponto mais claro do Ser, a ideia do Bem. Após contemplar o Bem diretamente, o filósofo deve retornar à cidade que lhe propiciou educação de modo a guiar os outros cidadãos da ignorância ao conhecimento racional.
As ideias – das quais se originam as cópias sensíveis – são, pois, existentes em si e por si, são realidades universais, eternas, imutáveis. Por tais motivos, são os modelos a serem seguidos, são paradigmas para a construção da cidade ideal e para a educação moral, política e espiritual do homem. Além do mais, são ordenadoras do cosmos.
Fica evidente que a proposta de Platão liga-se, principalmente, às ideias de Justiça e do Bem – este último é o supremo valor que sustenta a justiça com relação à organização política e à conduta individual. O equilíbrio entre as três partes componentes da alma e da cidade gera equilíbrio, harmonia e leva à felicidade. Assim, Platão busca por definições gerais, universais, imutáveis, eternas, existentes por si mesmas: as Ideias. Como veremos adiante, tal busca é oposta à busca aristotélica pela virtude ligada à aplicabilidade desta.


A ÉTICA DE ARISTÓTELES

A ética aristotélica, em oposição à ética de seu mestre, é imanente, tendo suas bases na realidade empírica do mundo, no questionamento acerca das condutas humanas e na organização social. As exigências com relação à vida na polis e a realidade do homem formam o conteúdo das ideias, e são ambas as responsáveis pela escolha dos valores, pela moralidade e pelas leis, pela definição das condutas dos homens. Sua teoria ética era realista, empirista em contrapartida à visão idealista e racionalista de Platão.
A ética aristotélica inicia-se com o estabelecimento da noção de felicidade. Neste sentido, pode ser considerada eudemonista por buscar o que é o bem agir em escala humana, o agir segundo a virtude – diferentemente de Platão, que buscava a essência das ideias de felicidade e da ideia do Bem sem relacioná-las diretamente à prática. A felicidade é definida como uma certa atividade da alma que vai de acordo com uma perfeita virtude. Partindo dessa definição, faz-se necessário um estudo sobre o que é uma virtude perfeita e, assim, faz-se necessário, também, o estudo da natureza da virtude moral.
A virtude é definida pelo Estagirita como hábito ou disposição racional constante, sendo a virtude o hábito torna o homem bom e o capacita na boa execução de sua função. Esta definição se mostra oposta à de Platão: a virtude é definida como capacidade de realizar uma função determinada, inerente a alguma parte da alma humana ou da cidade ideal.
A virtude moral é consistida por uma mediedade relativa a nós e o filósofo define- a como disposição – já que não podem ser nem faculdades nem paixões – para agir de forma deliberada, sendo que a disposição está de acordo com a reta razão. Após estabelecer a virtude moral como uma disposição – héxis – ou seja, como se dá o comportamento do homem com relação às emoções, há ainda a necessidade de que a diferença específica entre virtude moral e virtude intelectual seja explicitada. O Estagirita, em contrapartida às visões de Sócrates e Platão, atribui um papel importante dos sentimentos no âmbito ético, pois esta parte emocional da alma também é responsável na formação das virtudes, quando em conformidade com a parte racional.
O que distingue as duas espécies de virtude é a mediania. A virtude intelectual é adquirida através do ensino, e assim, necessita de experiência e tempo. A virtude moral é adquirida, por sua vez, como resultado do hábito. O hábito determina nosso comportamento como bom ou ruim. É devido ao hábito que tomamos a justa-medida com relação à nós. Logo, a mediania é imposta pela razão com relação às emoções e é relativa às circunstâncias nas quais a ação se produz.
Nenhuma das virtudes morais surge nos homens por natureza – ao contrário da visão inatista platônica – porque o que é por natureza não pode ser alterado pelo hábito, a natureza nos capacita em receber tais virtudes e esta capacidade em recebê-las é aperfeiçoada pelo hábito. Virtudes e artes são adquiridas pelo exercício, ou seja, a prática das virtudes é um pré-requisito para que se possa adquiri-las. Sem a prática, não há a possibilidade de o homem ser bom, de ser virtuoso.
Neste ponto da exposição aristotélica, podemos notar outra oposição com relação à ética platônica: conforme esta, o homem só pode ser bom e virtuoso ao contemplar a ideia do Bem – o que aponta para a diferença entre as concepções idealistas/racionalistas apresentadas por Platão e as concepções realistas/empiristas expostas pelo peripatético. Aristóteles critica a identificação feita por seu mestre entre virtude e conhecimento, de modo que conhecer a essência da Justiça implicaria em ser justo, haja vista que são identificados. Assim, o conhecimento da ideia do Bem seria a condição para o bem agir, e a virtude consistiria em somente um tipo de conhecimento teórico, conforme a crítica feita pelo Estagirita. Este afirma que a razão não é a única a atuar na determinação da boa conduta, devendo-se levar em conta os sentimentos por auxiliarem na formação das virtudes, além do fato de que as virtudes implicam uma atividade racional.
Como vimos, as virtudes morais são vistas como produto do hábito, consequentemente não são tomadas como inatas – como o fizeram Sócrates e Platão. Ao considerar as virtudes morais como adquiridas, há uma implicação de que o homem é causa de suas próprias ações, responsável por seu caráter – por esse motivo a ação precede e prevalece sobre a disposição – o que refuta a ideia platônica de que o homem que age mal, o faz por ignorância, pois o mal é a ausência do bem. Está na natureza das virtudes a possibilidade de serem destruídas pela carência ou pelo excesso e cabe à mediania preservar as virtudes morais e também diferenciá-las das virtudes naturais. Pode-se notar, pois, que a ideia de justa-medida preconiza que qualquer virtude é destruída pelos extremos: a virtude é o equilíbrio entre o sentir em excesso e a apatia. Portanto, fica evidente que a virtude busca pela harmonia – e esta é dada pela razão entre as emoções extremas. O meio-termo é experimentar as emoções certas no momento certo e em relação às pessoas certas e objetos certos, de maneira certa. Isso é a mediania, é a excelência moral, a qual diverge da noção platônica de excelência moral, que seria cada parte da alma exercer sua tarefa própria da melhor maneira possível, com excelência para exercer sua respectiva virtude.
Ao propor a mediania como gênero de virtude moral, como regra moral, o Estagirita retornou à sabedoria grega clássica, porque esta indicava a mediania como a regra de ouro do agir moral. A mediania tem o aspecto de não silenciar as emoções, mas buscar a proporção e, devido a essa proporção, a ação será adequada sob a perspectiva moral e, concomitantemente, a ação ficará ligada às emoções e paixões – contrariamente à doutrina platônica, na qual a ação moral tem uma relação intrínseca com a contemplação do Bem. De acordo com Aristóteles, a posição de meio é o que tem a mesma distância de cada um dos extremos. Com relação a nós e sempre considerando nesse viés, meio é o que não excede nem falta. Aqui fica evidente que o “meio” se dá em relação ao agente, pois não é válido para todos.
A virtude moral deve possuir a qualidade de visar o meio-termo por se relacionar com as paixões e ações. Nas ações e paixões, por sua vez, existem a carência, o excesso e o meio-termo. As ações e os apetites não tem, em sua natureza, algo que determine sua tendência para a falta ou para o excesso. Por sua vez, a tendência à mediania expressa a virtude moral, expressa a excelência da faculdade desiderativa da alma. O que nos faz tender à mediania é a educação e a repetição de atos bons e nobres. Por conseguinte, o hábito é desenvolvido e visa a mediania. Esta, por sua vez, é determinada segundo um princípio racional. Pode-se notar que, para Aristóteles, a virtude é uma espécie de mediania já que visa o meio-termo e que é vista como disposição de caráter que tem relação com a escolha dos atos e das paixões. A justa-medida é determinada por um princípio racional próprio do homem dotado de sabedoria prática. Assim, ao buscar pela essência da virtude, por sua definição, Aristóteles define-a como mediania.
O Estagirita afirma que sua investigação acerca da virtude não é de cunho exclusivamente teórico, como a realizada por Platão, mas a investigação se dá com a finalidade de que os homens tornem-se bons – pois cabe à mesma ciência, ou seja, à Ciência Política, tanto o conhecimento das virtudes quanto a função de fazer com que os homens se tornem bons. Logo, busca-se a definição de virtude e sua aplicação nos fatos particulares.
A virtude é um meio-termo entre dois vícios. Um desses vícios envolve o excesso e o outro vício envolve a carência. Logo, cabe à virtude e à sua natureza visar a mediania tanto nas ações – embora algumas ações não permitam um meio-termo por seus próprios nomes já implicarem, em si mesmos, maldade – quanto nas paixões. Um dos extremos – entre os quais a mediania se localiza – é mais equivocado que o outro. Deve-se, portanto, estar atento aos erros para os quais tem-se maior facilidade para ser arrastado. Pode-se saber para qual erro se é arrastado ao se analisar o prazer e o sofrimento acarretado pelo mesmo. Ao descobrir para qual erro se tende mais, deve-se ir em direção oposta, ao outro extremo para que se chegue ao estado intermediário e, consequentemente, afastar-se do erro.
Em todas as coisas, o meio-termo é digno de ser louvado. Contudo, ora deve-se inclinar no sentido do excesso, ora da falta com a finalidade de se chegar mais facilmente ao que é correto e ao meio-termo.
Ao longo das exposições acerca das perspectivas éticas de Platão e Aristóteles, podemos perceber convergências e divergências, sendo que estas foram explicitadas de modo geral.

REFERÊNCIA:

A ÉTICA NO ESTOICISMO

A ÉTICA NO ESTOICISMO
As condições políticas nas quais se desenvolve a reflexão filosófica depois de Platão e Aristóteles estão profundamente mudadas. Entre grandes disputas, mesmo sufocadas com sangue sob o jugo de Tebas e o esfacelamento dos Macedônios, a Grécia não consegue restituir sua independência. Com isso a política é subjugada, e a Hélade conquista o mundo com sua cultura, que encontra abertos à sua frente novos horizontes e novas vias para estender-se mais e, ao mesmo tempo, para enriquecer-se mais pela assimilação de novas ideias.
Acontece que o que se ganha em extensão se perde em profundidade. Por outro lado, depois do esforço especulativo que o pensamento grego sustentou durante três séculos para resolver o mistério do universo, especialmente depois das grandiosas construções da Platão e Aristóteles, é compreensível que o vigor especulativo se tenha atenuado e estancado por cansaço e exaustão. O período helenístico caracteriza-se como período de erudição, de crítica penetrante e de sábia reelaboração das conquistas do passado (no campo filosófico e literário).
A pesquisa filosófica no período helenístico tem um sentido eminentemente ético, razão pela qual é usualmente denominado período ético. Além do problema da moral, os filósofos também se ocupam de problemas relacionados à física e a lógica. De modo diferente de resolver os problemas relativos ao Sumo Bem e a verdade é que nascem os quatro grandes movimentos filosóficos do período helenístico: estóico, epicurista, cético e eclético.
Em ordem de tempo e importância, o primeiro movimento filosófico do período helenístico é o dos estóicos. O estoicismo é uma doutrina essencialmente moral que contém também algumas doutrinas importantes sobre o conhecimento humano e sobre a estrutura do cosmo.
Dessa forma, a filosofia estóica formou-se pela ação de três filósofos, que um depois do outro, deram cada um a própria original e conspícua contribuição às doutrinas da Escola, chamada “Estoicismo (...) um dos três principais movimentos que constituem a filosofia helenística”[1]., que em sua doutrina preocupava-se em seu sentido ético refletir sobretudo uma norma de vida, o segredo da felicidade, um princípio de conduta que assegure a paz da alma.
[1] Dicionário de filosofia de Cambridge. Dirigido por Robert Audi; (tradução João Paixão Netto; Edwino Aloysius Royer et al.). São Paulo: Paulus, 2006. (Coleção dicionários) p. 293


Aspectos Históricos
As origens do estoicismo estão ligadas a Zenon de Cítio (336 -264 a.C.), que, após ter ouvido as lições do cínico Crates e de alguns seguidores de Platão, por volta do ano 306, começou a ministrar as suas lições debaixo de um pórtico (stóa) de Atenas. Assim, teve início uma nova escola filosófica.
Com cerca de 42 anos, Zenão começa a ensinar e funda uma escola; os seus alunos foram primeiramente designados por Zenonianos, depois, segundo o costume de dar a uma escola o nome do lugar onde estava estabelecida, chamou-se-lhes Estóicos. Estoicismo deriva, com efeito, da palavra grega stoa que significa pórtico, porque Zenão ensinava perto do Pórtico Poecilo, assim designado – poecilo significa revestido de pinturas – porque Polignote o decorara pinturas para purificar este lugar onde, sob a tirania dos Trinta, mais de mil e quatrocentos cidadãos haviam sido massacrados; a expressão sinônima [filosofia do pórtico] é utilizada muitas vezes para designar o estoicismo.[1]
As lições de Zenon tornaram-se muito concorridas e, em pouco tempo, formou-se um numeroso grupo de fiéis seguidores de suas doutrinas; entre estes, encontravam-se pessoas famosas da vida política ateniense, como o rei Antígano Ganatas.
As ideias estóicas tiveram ampla aceitação e, por longo tempo, difundiram-se por todos os lugares onde fez eco a cultura grega: em Roma, no Médio Oriente, na África. O próprio cristianismo teve simpatia por algumas de suas ideias. Dentre as escolas deste período, foi a menos combatida pelos apologistas cristãos, principalmente no que diz respeito à moral.
Seu sucesso foi maior na fase que vai desde a sua fundação até os primórdios do séc. IV da era cristã. Dentre os seus seguidores romanos mais famosos destacaram-se: Sêneca (4 a.C. – 65 d.C),  preceptor de Nero; o escravo liberto Epíteto (morto em 117 d.C.) e o imperador Marco Aurélio (121 d.C. – 180 d.C.), seguidor e moderador das ideias de Epíteto.
Aspectos Filosóficos
Sucintamente podemos dizer que o principal objetivo dessa filosofia é “seguir a natureza.” Este adágio resume o pensamento filosófico de Zenon. Porque se observado, pode conduzir o homem à felicidade. Mas para compreender melhor este preceito, é preciso considerar os seguintes aspectos:
DEUS – A concepção de Deus é bastante especial. Ele é visto como Razão Absoluta (logo[2]s), que gera o mundo sem que este seja radicalmente diferente de si mesmo, isto é, o mundo não é essencialmente diferente de Deus. “O mundo é um organismo em que as partes interagem para o bom funcionamento do todo”[3]. Assim, tudo é divino (panteísmo), inclusive a natureza. Além disso, os estóicos entendiam que Deus, periodicamente, renova o mundo quando este se desgasta. O mundo presente é um dos mundos gerados por Deus que, no momento propício, será renovado (palingenesia).
Vem da razão divina (logos[4]), tendo todo o seu desenvolvimento providencialmente ordenado pelo destino repetido identicamente a partir de uma fase do mundo para a seguinte fase num ciclo interminável, terminando cada fase com uma conflagração[5] (ekpyrosis). Só existem corpos e só eles podem interagir. O corpo nessa visão é infinitamente divisível, e não possui vácuo.
A NATUREZA - Sendo divina, é perfeitamente coerente porque é regida pela Razão Divina, podemos dizer que “(...) o conhecimento da natureza é preparação para a ação”[6].
A matéria é compenetrada por qualidades que garantem aos elementos da natureza a coesão, a diferenciação e o movimento. Nos corpos anorgânicos, esta qualidade chama-se estado habitual (éksis/hábito); nas plantas, natureza (phýsis/natureza) e nos animais, alma (psikhé/alma), origem dos sentimentos e dos movimentos instintivos. Por exemplo, elementos como,
O HOMEM – Ocupa lugar especial no universo. É superior em relação aos demais seres pelo fato de participar do logos divino em maior grau do que qualquer outro ser vivente. O seu objetivo na natureza, ou seja, a sua finalidade não é a contemplação, mas, a ação. É através da ação que o homem encontrará a verdadeira felicidade, pois é o ápice de tudo, aonde ele desenvolverá a ataraxia[7] (imperturbabilidade).
Trata-se de um estado de imperturbabilidade decorrente da meditação e da resignação consciente de que existem coisas sobre as quais não temos o poder de mudar. O maior poder, para os estóicos, está em saber aceitar que não é possível controlar tudo. Tal virtude é oriunda da profunda meditação e do exercício da introspecção, conduzindo a um contato com o "Saturno interior"[8].
Ele só consegue chegar a esse grau devido ao fato desse possuir uma alma especial que está em estrito contato com a natureza e de ser responsável por uma conduta moral a que nenhum outro ser tem acesso.
Portanto sua conduta não é a mesma em aparência e externamente: ali onde o imperfeito cumpre um simples dever (kathekon), o sábio cumpre um dever perfeito (kathekon téleion) ou ação reta (katortama), graças a seu acordo consciente com a natureza universal[9].
Para que isso aconteça, o ser humano deve exercer práticas as quais a natureza quer que ele exerça, para assim buscar um nível elevado, o qual, ele possa conhecer as suas limitações, e assim, alcançar um estado de harmonia corporal, moral e espiritual para saber diferenciar o que é bom e o que é mal.
A ÉTICA ESTÓICA
Ética[10] criada por Sêneca, denominada de estoicismo[11]. É uma doutrina que visa representar uma ideia de respeito ao universo e suas leis cósmicas.
A ética estóica é uma ética que se pauta na compreensão reflexiva, na meditação que conduz a um estado de imperturbabilidade, de serenidade e de paciência: virtudes saturninas que, se integradas, conduzem a uma paz duradoura e permitem o exercício do verdadeiro poder, aquele que exercemos sobre nós mesmos, sobre nossos aspectos mais animalescos e primitivos[12].
Resumidamente podemos dizer que, “a ética dos estóicos é uma teoria do uso prático da Razão”[13]. É uma busca de fazer com que a razão seja algo “materializável”.
Moral
O aspecto ao qual o estoicismo deve sua fama é, sobretudo, o da moral. Por mais de meio milênio, a mensagem estóica serviu de consolo para muitos homens diante dos males do mundo e de suas ilusões.
O propósito da moral estóica é como também o foi das outras escolas, a felicidade humana. Porém, o caminho indicado para alcançá-la foi distinto. A diferença consistiu, principalmente, no valor que atribuíram ao ser humano. O homem é superior aos demais seres porque a sua natureza é dotada da razão (lógos). A razão é capaz de ultrapassar os limites dos prazeres como queriam os epicuristas. Se a razão se reduzisse à contabilidade hedonística, o homem não estaria muito além dos demais animais. O logos humano é entendido, segundo Zenon, no seu verdadeiro plano. Ele é visto como fragmento e um momento do lógos divino. Sêneca diz que a razão coloca o homem acima de todos os animais e abaixo apenas dos deuses (Epistolae, 76,9). A natureza humana é, pois, essencialmente racional. A felicidade humana reside na prática do bem. O bem consiste no incremento permanente de sua racionalidade. Desse modo, o homem estará realizando a sua natureza, assim como os demais animais estarão realizando a sua, enquanto vivem de acordo com os instintos.
Se o bem está em todas as virtudes (prudência, justiça, fortaleza, moderação, piedade, etc.), o mal está no vício (injustiça, devassidão, ignorância, impiedade, etc.). Contudo, além das coisas boas e das coisas más, existem também as coisas indiferentes. São indiferentes do ponto de vista moral, isto é, possuí-las ou não, não significa nem virtude nem vício. São elas: riqueza, beleza, estirpe nobre, força, saúde, fama, vida, etc, e todos os seus contrários: pobreza, feiúra, origem humilde, morte, etc.
A procura alucinada das coisas indiferentes resulta em grande perigo para a realização da natureza do homem como perfeita racionalidade. Esta é geralmente acompanhada de vícios. Por exemplo, na busca da riqueza, o homem pode tornar-se ímpio ou agir injustamente.
Eis o sentido do princípio. “Segue a natureza.” O homem virtuoso é aquele que conduz os seus passos exatamente de acordo com que lhe dita a sua natureza e razão. Foge diante dos vícios e se mantém totalmente neutro diante das coisas indiferentes. O verdadeiro estóico não demonstra afetação diante delas, não se altera diante do sofrimento físico ou diante da pobreza, que são perfeitamente aceitáveis, pois ser pobre ou sofrer não significa ser mau. A capacidade de dominar as paixões, as emoções ou as afetações, tanto diante das coisas empiricamente desagradáveis como daquelas agradáveis, recebe o nome de apathéia (ausência de paixões). A apathéia leva a ataraxía (ausência de movimento), estado de plena tranqüilidade ou imperturbabilidade. O sábio estóico não sofre remorso porque não age contra a razão. Ele busca sempre seguir a natureza da razão, nem que para isso se exija “sacrifícios” que aparentemente são vistos como coisas ruins. Sendo que “(...) há casos em que é melhor renunciar a seus deveres de família ou de magistrado”[14].
A moral estóica encaixa-se perfeitamente com a situação política do homem grego de então. Todas as “aparências”, tão valorizadas na polis e não mais acessíveis, são consideradas de menos importância para a felicidade humana. Enfim, o miserável, o doente, o feio, o analfabeto, o fraco, o apátrida[15], também podem ser felizes. Todos podem alcançar a ataraxía, pois todos são gerados e movidos pela natureza. Sendo que segundo os estóicos “o sábio e o imperfeito tem exatamente os mesmos deveres, até o ponto de que o sábio, por perfeito e feliz que seja, deverá abandonar a vida pelo suicídio, se sofre em excesso de coisas contrárias à natureza”[16]. Eles partem de uma razão universal e isso afirma semelhanças de gêneros inclusive no que diz respeito a Deus. Sendo assim, “nenhuma distinção deste gênero há aqui, já que se vê na virtude apenas a razão universal. Deus mesmo não tem uma virtude diferente da dos homens”[17]. Pois a virtude de ambos é a prática do bem.
Antropologia
Segundo os estóicos, o homem é um composto de corpo e alma. A alma é entendida como um fragmento da alma cósmica. A alma individual é partícipe da alma universal que é Deus. Contudo, a alma humana não é imaterial. Ela é também corpórea, isto é, material, porém, a matéria que a constitui é privilegiada. Os estóicos denominam-na de pnéuma. Por uma pnéuma¸ deve-se entender sopro, alento ou, mais propriamente, o “ar deslocado pelo ato de soprar” e, por extensão, “força vital”, “espírito”. O homem que busca alcançar o seu maior grau de perfeição, buscará seguir a vontade de Deus, ou seja, o destino proposto pelo Criador. Sendo assim, “(...) o homem perfeito (...) escolherá a enfermidade, por exemplo, se sabe que é desejada pelo destino: mas em caso de igualdade[18], escolherá preferencialmente a saúde” [19].
A alma penetra todo o organismo físico, já que os estóicos admitem a interpenetrabilidade da matéria. Enquanto penetra e vivifica todo o corpo humano, presidindo as suas funções, a alma é dividida em oito partes: a central ou hegemônica é a que tudo dirige e coincide, sobretudo com a razão, outras cinco partes constituem os cincos sentidos, a sétima preside a fala e a última preside a geração. Atribuem a algumas “partes” funções variadas. Por exemplo, cabe à parte hegemônica as seguintes funções: sensação/representação, assentimento, apetite e raciocínio.
Sensação/representação - é a impressão causada pelo objeto, que é transportada para alma através dos sentidos. A representação é uma marca material na alma. Considerando a alma de ordem material, não é difícil aceitar tal afirmação. Em algumas passagens, essa função é chamada de percepção.
Assentimento – A representação em si não significa ainda a verdade. É um sentir que não depende exclusivamente do sujeito, podendo ser verdadeira ou falsa. A representação postula um livre assentimento de logos que irá julgá-la falsa ou verdadeira.
Apetite – O assentimento à verdade dá ocasião à realização do bem. O bem somente pode ser praticado se houver a vontade de sua prática. Assim, o bom apetite é a tendência para a virtude e o mau apetite é a tendência para o vício. O apetite pode ser associado à vontade.
Razão – É a função central da pnéuma, sendo responsável pela ordem no âmbito das atividades psíquicas. Estabelece os princípios da sucessão e da coexistência entre todas as outras funções. A alma é, pois, o elemento que vivifica o corpo, além de ser responsável pela atividade do conhecimento e pela vontade.
No âmbito do pensamento estóico, a questão do destino da alma não se constitui em problema. Não sendo ela imaterial, é necessariamente mortal. Sua morte pode-se dar tanto no momento da morte do corpo quanto após, porque a matéria da qual se constitui é mais sutil que a do corpo. Segundo alguns estóicos, a morte de todas as almas se dá no momento em que Deus intervém para recriar o mundo.
CONCLUSÃO
O estoicismo   durou cerca de 500 anos e grande foi a sua influência entre os gregos e romanos. No que diz respeito a ética em se tratando da moral para os estóicos, o fim supremo, o único bem do homem, não é o prazer,  nem a felicidade, mas a virtude que é a pratica do bem. Sendo assim, a ética estóica foi um campo de vasta contribuição para a construção filosófica na Grécia antiga, estendendo-se seu ensinamento moral, que exerceu tanta influência na moral cristã (com a qual a ética estóica tem uma relação semelhante a da metafísica aristotélica e com a teologia).
Antes de tudo, o rigorismo excessivo, que tem às vezes aspectos desumanos e visa a um ideal de vida às vezes abstrato e quimérico, além de contaminado por traços de egoísmo. A indiferença cósmica o sábio estóico tende a isolar-se do mundo e a considerar as suas vicissitudes históricas com ânimo não só desapegado, mas também indiferente.
Podemos assim ver, que devido à perda de territórios e a decadência da filosofia grega, acabou propiciando mudanças no que diz respeito às questões filosóficas. Buscou-se assim, centralizar o homem como um ser único e capaz de realizar a prática da virtude, pois é o único dos seres da natureza que é dotado de razão. Sendo assim, os estóicos tentaram demonstrar a alta semelhança que o homem tem para com Deus. Exercendo virtudes que visassem elevar o humano para assim, esse exercer a prática do vem e fazer assim, a vontade da natureza e de Deus.
REFERÊNCIAS
BITTAR, Eduardo C. B. Curso de ética jurídica: ética geral e profissional. – 5. ed. rev. – São Paulo: Saraiva, 2007.
BRUM, Jean. O estoicismo. Lisboa: Edições 70, 1986.
Dicionário de filosofia de Cambridge. Dirigido por Robert Audi; (tradução João Paixão Netto; Edwino Aloysius Royer et. al.). São Paulo: Paulus, 2006. (Coleção dicionários)
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa. 3. ed. Curitiba: Positivo, 2004.
HRYNIEWICZ, Severo. Para Filosofar Hoje. 6. ed. Rio de Janeiro, RJ: Lumen Juris, 2006.
REALE, Giovanni. História da filosofia pagã antiga. V.1[tradução Ivo Storniolo]. – São Paulo: Paulus, 2003.
Na Internet:

A ÉTICA DE SÓCRATES

A ÉTICA DE SÓCRATES

Uma das figuras mais emblemáticas da filosofia ocidental, Sócrates é um divisor de águas para a filosofia antiga. Isto porque situava o seu pensamento e especulações na natureza humana e suas implicações ético-sociais e não na cosmovisão das coisas e da natureza. Sócrates não deixou obras escritas, razão pela qual tudo o que sabemos a seu respeito tem origem no trabalho dos outros. Estima-se que tenha nascido em Atenas por volta do ano 469 a.C., tendo sido condenado à morte pelos juízes desta cidade no ano de 399 a.C.  Mas, o que faz o seu pensamento um importante marco na história da ética?
Pois bem, Sócrates erigiu uma linha de pensamento autônoma e originária que se voltava contra o despotismo das palavras, interagindo e reagindo ao movimento dos sofistas, muito em voga nesse período da história grega.  Seu método maiêutico era baseado na ironia e no diálogo, tendo como finalidade uma parturição de ideias. Logo, para Sócrates, todo erro é fruto da ignorância e toda virtude é conhecimento. Daí a importância de reconhecer que a maior luta humana deve ser pela educação e que a maior das virtudes é a de saber que nada se sabe.
A ética socrática reside no conhecimento e em vislumbrar na felicidade o fim da ação. Essa ética tem por objetivo preparar o homem para conhecer-se, tendo em vista que o conhecimento é a base do agir ético. Ao contrário de fomentar a desordem e o caos, a filosofia de Sócrates prima pela submissão, ou seja, pelo primado da ética do coletivo sobre a ética do individual. Neste sentido, para esse pensador, a obediência à lei era o limite entre a civilização e a barbárie. Segundo ele, onde residem as ideias de ordem e coesão, pode-se dizer garantida a existência e manutenção do corpo social. Trata-se da ética do respeito às leis,e, portanto, à coletividade.
A abnegação pela causa da educação dos homens e pelo bem da coletividade, levou Sócrates a se curvar ante o desvario decisório dos homens de seu tempo. Acusado de estar corrompendo a juventude e de cultuar outros deuses, foi condenado a beber cicuta pelo tribunal ateniense.  Sócrates resignou-se à injustiça de seus acusadores, em respeito à lei a que todos regia em Atenas.
Para esse proeminente filósofo grego, o homem enquanto integrado ao modo político de vida deve zelar pelo respeito absoluto às leis comuns a todos, mesmo em detrimento da própria vida. O ato de descumprimento da sentença imposta pela cidade representava para Sócrates a derrogação de um princípio básico do governo das leis, qual seja, a eficácia. Segundo Sócrates, com a eficácia das leis comprometida, a desordem social reinaria como princípio.
Assim, são muitas as lições trazidas pela ética socrática: o conhecimento como virtude; a educação como forma de conhecer a si mesmo e, por consequência, conhecer melhor o mundo para alcançar a felicidade; a primazia do coletivo sobre o individual e, a obediência às leis para garantir a ordem e a vida em sociedade. Sábias ideias. Se os agentes políticos e a sociedade em geral pensassem assim, teríamos, com certeza, um país mais justo e solidário.


domingo, 11 de junho de 2017

RELATO DE AMALA E KAMALA



Amala e Kamala, também conhecidas como as "meninas lobo", foram duas crianças selvagens encontradas na Índia no ano de 1920. A primeira delas tinha um ano e meio e faleceu um ano após o resgate. Kamala, no entanto, já tinha oito anos de idade, e viveu até 1929. Em 1920, o reverendo Singh encontrou, em uma caverna, duas crianças que viviam entre lobos. Suas idades presumíveis eram de 2 e 8 anos. Deram-lhes os nomes de Amala e Kamala, respectivamente. Após encontrá-las, Singh levou-as para o orfanato que mantinha na cidade de Midnapore. Foi lá que ele iniciou o penoso processo de socialização das duas meninas-lobo.
Elas não falavam, não sorriam, andavam de quatro, uivavam para a lua e sua visão era melhor à noite do que de dia. Amala, a mais jovem, morreu um ano após ser encontrada. Kamala viveu durante oito anos na instituição que a acolheu, humanizando-se lentamente. Ela necessitou de seis anos para aprender a andar e pouco antes de morrer só tinha um vocabulário de 50 palavras.
Até hoje não se sabe ao certo como as duas meninas foram parar no meio dos lobos, embora não fosse raro na Índia daquela época, crianças selvagens serem encontradas vivendo longe do convívio de outros seres humanos.Atitudes afetivas foram aparecendo aos poucos. Ela chorou pela primeira vez por ocasião da morte de Amala e se apegou lentamente as pessoas que cuidaram dela e ás outras crianças com as quais viveu.
Obviamente, não falavam, e seus rostos eram pouco expressivos. Não sabiam andar de pé, mas se moviam rapidamente de quatro. Apreciavam carne crua, tinham hábitos noturnos e repeliam o contato humano, preferindo os cachorros. Ao serem encontradas, gozavam de perfeita saúde, mas a separação da família lupina provocou-lhes profunda depressão. Amala inclusive teria sido vítima da depressão e por isso faleceu tão precocemente.
Liberdade acaba sendo uma coisa muito relativa. Há quem diga que quanto menos se sabe, quanto mais ingênuos, mais livres nós somos. Ao mesmo tempo que o conhecimento é uma arma maravilhosa, é preciso ser ainda mais inteligente para ver o mundo de uma maneira pura, sem conceitos pré-moldados por outras pessoas. Não é à toa que dizem que quanto mais sabemos, percebemos que sabemos menos ainda.
Controvérsias
Devido a muitas diferentes versões, a história delas sustentava testemunha outra senão o próprio Reverendo Singh, onde persistem consideráveis controvérsias relacionadas com a veracidade da história. A maioria dos cientistas consideravam Amala e Kamala crianças com emburrecimento mental e defeitos congênitos. O "mito" de ter sido criadas por lobos é uma antiga concepção Indiana para explicar o comportamento animalesco de crianças abandonadas com defeitos congênitos.
Estudos Recentes
De acordo com o cirurgião francês Serge Aroles, é possível garantir que as duas não tinham nenhum tipo de deficiência, o caso de Amala e Kamala é a farsa mais escandalosa relacionada a crianças selvagens. Em seu livro "L'Enigme des enfants-loup" (2007), Aroles descreve sua pesquisa acerca do caso. Ele varreu arquivos e fontes desconhecidas oficialmente e concluiu:
O diário original o qual Singh dizia ter escrito "dia após dia durante a vida das duas garotas-lobas" é falso. Ele foi escrito na Índia depois de 1935, seis anos após a morte de Kamala (O manuscrito original é mantido na divisão de manuscritos da biblioteca dos Estados Unidos do Congresso em Washington, D.C.);
A foto mostrando as duas garotas-lobas andando de quatro, comendo carne crua, e outros, foram tiradas em 1937, depois da morte das garotas. As fotos, na verdade, mostram duas garotas de Midnapore posando a pedido de Singh. O corpo e rosto da garota nas fotos são totalmente diferentes do corpo e rosto de Kamala, como se pode ver em suas verdadeiras fotos;
De acordo com o médico responsável pelo orfanato, Kamala não tinha nenhuma das anomalias inventadas por Singh, tais como dentes longos e pontudos, locomoção de quatro com articulações rígidas, visão noturna com emissão de um brilho azul intenso a partir de seus olhos, durante a noite.
De acordo com diversos depoimentos confiáveis coletados em 1951-1952, Singh costumava bater em Kamala para fazê-la agir como descrito na frente de visitantes; A fraude foi desenvolvida para ganho financeiro. Aroles mostra cartas entre Singh e o Professor Robert M. Zingg, nas quais Zingg expressa sua crença no valor financeiro da história; Depois de suas publicações do diário de Singh, Zingg enviou US$500 para Singh, que estava desesperadamente precisando de dinheiro para manter seu orfanato; Após algum tempo foi comprovado por especialistas que Kamala tinha defeitos mentais, afetada pela Síndrome de Rett.

REFERÊNCIA:
http://pt.wikipedia.org/


quinta-feira, 16 de março de 2017

DEMOCRACIA DITATORIAL OU DITADURA DEMOCRÁTICA?

Democracia ditatorial ou ditadura democrática?


            No atual sistema que nos encontramos, o mais comum é a corrupção dos ideais que norteiam a democracia que vislumbra o horizonte das realizações sociais. Minar os ideais populares significa embutir valores ideológicos do sistema em gestão em suas concepções, maqueando as ideologias e falseando o ideário das classes sociais.
A democracia ( δεμοκράτοσ), governo do povo, assevera que o poder emana do povo, isto quer dizer que a população deve governar por seus representantes, mas o que ocorre é que os representantes legais do povo governa por si só. O que fere o ideal do povo e não cumpre a função originária da política (πολίτέίά) que é a “arte de bem governar” pautado pela “φροηέςίσ” (fronesis) que é a arte do bem viver.
Algo que  indagamos é: o que faz com que  nossos representantes nos traiam? Quando inseridos e de posse no poder, parecem não ser os mesmos, pois esquecem ( a maioria) que se estão onde estão é por causa da população que creditou a eles seus votos. Creditar, dar crédito, é como dar um empréstimo, se não devolvido em ações, caracteriza-se em dívida, esta primeiramente, moral e depois, social. Esta dívida é devida por falta do horizonte ético-moral, onde os valores deixaram de perpetuar em virtude do desinteresse político.
A έυδάίμοηίά ( felicidade) social se concretiza  na eliminação ou atenuação das diferenças sociais, mas os coeficientes de pesquisas mascaram a realidade assegurando a redução de pobreza, mas a pobreza não foi reduzida, o que houve foi medidas paleativas e camufladoras. Nossa política social tem que agir de modo efetivo e não afetivo, ou seja, o agir efetivo das políticas sociais  se caracteriza na concretização da cidadania plena, pois as medidas paleativas repetem a “cidadania regulada”, não possibilitando a emancipação social do ser. O ser emancipado é um ser em maior potencialidade devido a sua liberdade, pois esta traz ao ser um horizonte de compreensão do real como espaço e tempo de se auto-produzir.
A produção humana é autopoiésis, compreende que o ser se produz naquilo que faz, sendo livre, sua liberdade se torna um vetor de realização pessoal e profissional, caso contrário, sua falta de liberdade será elemento vetorial de insatisfação social e pessoal, causando assim as mazelas sociais em alguns que não visualizam sua projeção no social, permanecendo às margens da sociedade, sendo excluídos dos ditos inclusos e “assistencializados” pelo governo e não potencializados.
Se há democracia, onde fica a participação destes comtempladores do horizonte vazio? Muitas medidas são tomadas para falsear a participação social como fóruns, seminários e conferências. Temos observado que em alguns municípios realizaram-se estas medidas participativas, onde o governo se faz presente não de modo parítário, deixando a outra metade das vagas para os diversos segmentos, resultado: aprovação em massa das propostas do governo e reprovação de muitas das reinvidicações que surgiram dos segmentos sociais. Averigua-se que o governo já tinha suas metas e queria dar uma roupagem de participação social, aparentemente deu certo, pois como os assessores estavam diluídos pela assembléia, aparentavam ser das comunidades e segmentos.
Que moral é esta que ludibria o povo? Que ética apresenta tal governo? 
Democracia de papel, isto é, democracia mascarada e personificada pelo governo.
As roupagens  aparentam ser democráticas, mas essência, ditatorial. Como nos afirmou Exupéry que o essencial não é visto pelos olhos, nota-se a esperteza e ignorância ( αζίηοία  e αμαθία) do poder público. Com certeza que para grande parte da população houve participação, pois foi visto, mas essencialmente não se percebeu a vontade política de autoafirmação diante da comunidade. Esta é uma política maquiavélica, onde “os fins justificam os meios”.
O relata acima se refere a uma administração dita popular que se firma no poder com o “diálogo” direcionado e intenções bem concretas, diz-se aberto à participação, mas desta forma.
Quando a alteridade for centro de vontades políticas, teremos um governo voltado para o outro e não para a projeção política do eu.

sexta-feira, 3 de março de 2017

MITOS GREGOS

Mitos Gregos



Dédalo era um inventor, muito conhecido por seus trabalhos de arquitetura que fez para Minos, rei de Creta. Construiu um palácio em Cnossos, e sob este um labirinto, lugar perfeito para esconder tesouros e prender seres indesejáveis. Foi neste labirinto que Minos prendeu o Minotauro. Ninguém conseguia sair do labirinto, ou morria ou não conseguia sair do local.
Dédalo, o artesão-chefe, estava exilado porque deu à filha de Minos, Ariadne, um novelo de linha de modo a ajudar Teseu, um inimigo de Minos, a sobreviver ao Labirinto e derrotar o minotauro.
Dédalo confeccionou dois pares de asas, usando penas e cera, para ele mesmo e seu filho. Antes de deixarem aquela ilha, Dédalo avisou ao seu filho não voar tão rente ao sol, pois o calor derreteria a cera, nem tão rente ao mar, pois a umidade deixaria as asas mais pesadas levando-o a cair no mar. Graças à enorme liberdade que voar deu a Ícaro, este cruzou curiosamente o céu, mas durante o processo ele veio rente ao sol, que derreteu a cera. Ícaro se manteve batendo as asas mas logo acreditou que já não lhe sobrava qualquer pena daquelas e que ele estava batendo apenas os seus próprios braços. E assim, Ícaro caiu no mar na região que recebeu o nome dele – o mar Icário próximo a Icaria, uma ilha a sudoeste de Samos.
Escritores helenísticos que deram sabedoria filosófica ao mito também preferiram mais realidade, na qual deixar Creta era então por água, provida por Pasífae, para que Dédalo criou os primeiros barcos, para Minos possuir galeras, e que Ícaro caiu a caminho da Sicília e se afogou. Hércules construiu um túmulo a ele.


Eric A. Kimmel
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
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Mitos Gregos


Eu escrevi neste mito sobre Esão,rei de Tessália, que cedeu a coroa à seu irmão,Pélias, mas este teria que entregar a coroa ao filho de Esão, Jasão assim que chegasse a idade de governar. Por achar que ele era inexperiente, Pélias não cedeu à coroa e o mandou trazer o Velocino de Ouro da ilha de Colcos,como um grande feito.
Jasão reuniu os jovens mais valentes da Grécia para acompanhá-lo e mandou construir um navio para transportá-los dando o nome de Argo e os que o tripulavam de argonautas.
Chegando à ilha de Colcos, falaram com o Rei Aetes que propôs que enfrentasse três provas, a primeira combater dois touros. Quando os touros se aproximaram, Jasão deu-lhes um punhado de cereal e aproveitou para afagá-los, e assim os dominando. Acabada a prova ele se deparou com Medéia, filha de Aetes, ela lhe deu um talismã para ajudá-lo a combater os guerreiros.
Quando sentiu que suas forças se acabavam, jogou o talismã e os guerreiros começaram a lutar entre si até a morte. Medéia mandou Jasão combater o dragão naquela noite, caso contrário, seu pai não o deixaria sair da ilha. Deu a ele um frasco que fez o dragão dormir enquanto pegava o Velocino de Ouro. Logo Jasão acordou os companheiros e se preparam para voltar para Tessália,levando consigo Medéia. Um vigia avisou Aetes que foi partiu atrás do navio, e para despistá-los Medéia invocou os ventos para uma fuga mais rápida.
Quando chegaram em Tessália, Esão estava muito doente e Jasão pediu para que Medéia utilizasse algum feitiço para ajudá-lo. Para isso ele teria que matar o próprio pai, não tendo esta coragem Medéia o fez por ele e Esão reviveu mais jovem. Jasão queria que o pai assumisse o trono, mas este não concordou, e disse que mandaria Pélias renunciar o cargo e Jasão viraria rei. Ele pediu Medéia em casamento, mas ela recusou, dizendo que ele era covarde.

Eric A. Kimmel

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Mitos Gregos


Perseu e Medusa:


Perseu era filho de Zeus, e para provar que era digno de seu pai, decidiu embarcar em uma grande aventura para conquistar fama e glória. Ele navegou pelos mares, até que encontrou um país chamado Sérifo, que estava totalmente devastado e destruído, e ao encontrar os primeiros moradores do país, Perseu perguntou o que havia ocorrido,ele logo descobriu que tudo aquilo havia sido devastado por um monstro, a Medusa.
Com ajuda dos deuses Atena e Hermes, ele derrotou a Medusa, mesmo sem olhar diretamente para ela, pois ele olhou seu reflexo. Perseu guardou a cabeça decapitada da Medusa, e mais tarde usou-a para petrificar um dragão, para poder salvar uma jovem chamada Andrômeda. Mais tarde os dois se casaram, e viveram felizes para sempre! É essa a história gente!

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Mitos Gregos



Quando era jovem, Orfeu ganhou uma lira do Deus Apolo, e sempre encantou todos ao seu redor, pelo enorme talento que tinha para a música. Quando já era adulto, conheceu Eurídice, uma bela e meiga mulher. Mais tarde, eles se casaram e foram abençoados pelo Deus Apolo. Certo dia, quando Eurídice estava na floresta, ela foi picada por uma cobra, e rapidamente o veneno da cobra passou pelo seu corpo, e ela faleceu.
Orfeu fez de tudo para buscar sua amada, e após muitos argumentos e suplicações, com ajuda de sua lira, ele convenceu Hades (Deus do mundo subterrâneo), a deixar Eurídice sair do submundo com ele, porém o plano deu errado, e mais tarde Orfeu morreu, e se juntou com Eurídice no mundo subterrâneo.

Eric A. Kimmel
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Mitos Gregos



Nesta história, estou recontando o mito do Pigmalião e da Galatéia, e a história começa assim: Pigmalião era um talentosíssimo escultor grego. Certo dia, sacerdotes encomendaram uma estátua da deusa Afrodite, e por ser a deusa do amor, Pigmalião caprichou muito, ao ponto de não querer entregar a estátua aos sacerdotes quando ela já estava pronta. Isso acontecia porque ele não conseguia parar de olhar a estátua, e ele tinha ficado apaixonado pela sua própria obra de arte! Cada vez mais, ele a adorava e tentava torná-la “humana”, ele implorava por qualquer comunicação que a estátua pudesse dar, que era nenhuma. Depois de passar dias admirando a obra, sem comer, dormir ou beber, ele implorou pela sua morte, mas o que realmente ganhou (da Deusa Afrodite), foi a vida de Galatéia, a estátua.

Eric A. Kimmel
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Mitos Gregos


Aracne era uma jovem muito habilidosa quando ia tecer e fiar. Sua habilidade era incrível, pois ela transformava os mais rudes velos de carneiro, nas mais belas tecelagens, e por isso, seu trabalho chamava atenção de todos, inclusive de reis.
Certo dia, um rei foi buscar uma encomenda, e ao vesti-la disse que só Atena seria capaz de criar algo mais bonito do que aquilo! Esse comentário irritou muito Aracne, e a mesma disse que iria desafiar Atena, pra saber qual seria o melhor trabalho. O rei a alertou que ela não deveria desafiar Atena, mas já era tarde demais, a deusa já havia aparecido com dois teares, para o desafio.
Então, as duas começaram a trabalhar, criando lindas tecelagens. Em certo momento, ao olhar para a obra de Aracne, Atena se irritou com a ousadia da moça, e disse que Aracne realmente tecia bem, porém que ninguém iria dizer que a Deusa tecia coisas menos bonitas que Aracne, então a deusa propôs algo: se Aracne aceitasse acabar com o desafio, a Deusa a transformaria na maior fiandeira e tecelã de todos os tempos! Aracne aceitou, e após isso, a Deusa a transformou em uma aranha!

Eric A. Kimmel
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA


Mitos Gregos

Na história do rei Midas, mostra um rei que tinha muita ganância de sempre ser o mais rico do mundo. Mas ele não ficava satisfeito com que tinha e sempre ficava reclamando que queria mais e mais.
Um dia o Deus Dionísio perguntou para Midas porquê não usava sua riqueza para ajudar os famintos, Midas respondeu que nunca daria seu dinheiro ,gostaria que tudo que toca se vira se ouro.Sua vontade virou realidade em tudo que tocava virava ouro, transformou as flores o lago a grama de seu jardim em ouro. Com tanta felicidade vem tudo brilhar de ouro resolveu fazer um banquete em sua homenagem por ser o rei mais rico da terra.Estava todos na mesa mas quando levantou a taça para brindar percebeu que seu vinho virou ouro ,deixam do a taça de lado iniciou as comemorações. O rei tentou comer mais tudo que levava a boca transformava em ouro.
Niobe, o gato de Midas, pulou no colo do dono e se transformou em ouro o correu o mesmo quando seu cachorro Ajax lambeu sua mão. Os convidados não sabiam o que fazer, sua filha Phoebe assustada com tudo aquilo, correu para ver o que estava acontecendo, após tocar a mão na testa de seu pai ela rápida mente se transforma em ouro. Mas Midas vendo o que tinha feito se arrependeu pois tudo o que ele mais amava tinha se transformado em ouro. Dionísio com compaixão pelo rei fez tudo voltar ao Normal e Midas após esse dia dividiu sua riqueza com que precisava .
Eric A. Kimmel
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
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DISTINÇÃO ENTRE ÉTICA E MORAL

Conceitos de Ética e Moral com base em filósofos Distinção entre Ética e Moral https://karenelisabethgoes.jusbrasil.com.br/artigos/1452...